ORIGEM
O nosso conceito sobre palavras é que elas servem para nós nos comunicarmos, sendo sons emitidos pela voz oriundos da garganta. Este é um conceito moderno.
Entretanto, a origem das palavras é bem diferente. Milhares de anos atrás, quando a humanidade ainda estava diretamente conectada com o Divino, a comunicação efetuava-se pela telepatia. Os sábios e yogis meditando nas cavernas onde reinava o silêncio absoluto, retraindo suas mentes dos sons do corpo físico, focalizaram-nas nos centros de energia sutil, chamados “chakras”.
Assim fazendo, ouviram 50 vibrações diferentes oriundas dos sete chakras e transpuseram-nas em vibrações das cordas vocais, ou seja, em sons emitidos pela garganta, criando assim o alfabeto da língua sânscrita.
O som de cada letra desse alfabeto sânscrito, tem uma energia certa que ajuda a controlar a performance (rendimento e atividade) de determinados chakras, ou seja, cada um é composto de um conjunto representando:
- Rudra o aspecto masculino da transmutação ou transformação
- Shaktirúp o aspecto feminino da transmutação ou transformação
- Vishnu o aspecto masculino da proteção e preservação
- Shakti o aspecto feminino da proteção e preservação
- Rishi o nome do sábio que está associado à letra e suas qualidades
- Chanda o contexto musical que o alfabeto representa
- Bija a semente (como a semente da manga contém uma árvore de manga, as letras do alfabeto contêm em si a entidade que representam, por exemplo, a letra “ga” é a semente de Ganesha ou Ganapati).
A manutenção do nosso corpo físico se dá através dos cinco elementos (éter, ar, fogo, água e terra). Mas para a manutenção dos nossos corpos sutis, precisamos de energias também sutis provenientes do cosmos, que estão sempre à nossa disposição, mas que são aproveitadas de acordo com a capacidade de recepção, sintonização e processamento da nossa “antena”. Essa “antena” é justamente o conjunto de chakras localizado no nosso corpo sutil.
Cada aspecto ou manifestação do Brahman (o único onipotente, onipresente, onisciente, infinito, além do espaço e do tempo), seja grosseiro ou sutil, físico ou abstrato, tem sua própria vibração. Os rishis personificaram essas vibrações em deuses e deusas e combinaram as letras produzindo palavras que têm poder de invocar essas entidades e estão em total harmonia com a energia que a entidade correspondente representa. Esse conjunto de palavras chama-se MANTRA.
Como nos ensinou JAIMUNI, o som é eterno e é a matriz de toda a criação. O som no estado latente já existiu antes da vibração. As propriedades do som mudam conforme a freqüência, amplitude, entonação, volume, harmonia, pronúncia, ritmo, etc., por isso, a energia do som deve ser organizada e canalizada para produzir certos resultados e isto é feito através dos mantras.
Os mantras são baseados na combinação certa de letras que, quando cantados de maneira específica, produzem certos efeitos no nosso organismo, tanto no plano físico como nos planos mental e espiritual. As letras dos mantras são representações das seqüências definidas do som, que para produzir o efeito desejado, devem ser pronunciadas corretamente e seguindo as regras da música e do ritmo.
Ao pronunciar um mantra, certas vibrações sonoras são geradas e com a prática contínua, criam o poder de trazer as energias da respectiva divindade dentro da pessoa. Quando a divindade é realizada, ou é atingido o domínio sobre o mantra, o praticante recebe o poder que supostamente reside na divindade.
Para cada mantra existe um rishi (criador) e um Deus (entidade).
A palavra mantra significa: fórmula sagrada. Literalmente:
- MAN em sâncrito quer dizer MENTE (o revestimento da mente)
- TRA significa DISCIPLINAR.
Então: MANTRA = DISCIPLINAR A MENTE
O Gayatri Mantra é um mantra coletivo e genérico, neutro, já é consagrado e está pronto para praticar.
FINALIDADE E USO
A prática do mantra é o meio de ampliar a consciência a fim de restabelecer o sincronismo entre o microcosmo e macrocosmo. Portanto, como uma perdida gota d’água que se encontra com o oceano e adquire o potencial e o poder do oceano, o ser humano se funde ao onipotente e torna-se também onipotente.
No uso do mantra são importantes: a pronúncia - deve ser correta; o significado do mantra - é preciso conhecer a forma ou significado; o local - deve ser calmo, sem barulho, dentro de um templo, na beira de um rio ou mar, em cima de uma montanha, ou em uma caverna; assento - evitar-se o contato direto com a terra; a postura - a espinha dorsal deve ficar reta para deixar fluir a energia do Prana livremente; alimentação - preferencialmente não envolvendo matança de animais e violência.
O GAYATRI MANTRA
O mantra em sânscrito:
E convertido ao nosso alfabeto:
gáyatrímantra yajurveda 36,3
om, bhúrbhuvah svah tatsaviturvarenyam, bhargo devasya dhímahi
dhiyo yo nah prachodayãt
De acordo com os Vedas, o BRAHMA (o criador do universo) recebeu este mantra da Divindade Suprema, e meditando sobre ele, teve o poder para criar o universo. O Maharishi Ishwamitra compôs o Savitri na escala métrica (chanda) de 24 sílabas (abaixo numeradas) que chama-se Gayatri, e assim se popularizou como Gayatri Mantra.
Como pode-se constatar, o Gayatri em si inicia com “Tatsaviturvarenyam”, sendo o “OM” a consagração e “bhur bhuvah swah” o destino do mantra.
“Yajurveda 36,3” (pronunciar: yadjurved’) é o Livro Veda que contém o Gayatri no seu versículo 36,3.
Para permitir uma tradução, é conveniente serem entendidas todas as possíveis interpretações de
cada uma de todas as letras contidas nesse mantra:
- OM ou AUM
Som primordial da natureza sutil, considerado em si o mantra primordial, é o poder básico do Supremo que engloba a criação, a preservação e a destruição do Universo. A sua pronúncia correta é: com “A” abre a boca, com “U” estende a boca e com “M” fecha. O “AUM” se propaga em todo o cosmos, seja micro ou macro. É o som que se propaga por si mesmo, sem razão aparente e sem fricção de dois objetos. O “AUM” é esse som divino e onipresente.
- Bhur A terra, ou primeiro dos sete lokas superiores (mundo ou campo de experiência, ou nível de evolução espiritual), o mundo físico constituído de matéria.
- Bhuvar ou bhuvah O astral, ou segundo loka, constituído de matéria sutil.
- Swar ou swah O causal, ou terceiro loka. Este loka juntamente com os dois primeiros constituem a faixa evolutiva na qual a alma sofre o processo de reencarnação. Nos próximos quatro lokas ela desfruta o estado evolutivo.
- Ta Sucesso, triunfo.
- Tsa Esforço, empenho.
- Vi Nutrir, sustentar, obedecer.
- Tur Bem estar, bênção, evolução, desenvolvimento.
- Va União, conjugação.
- Re Amor universal.
- Nyam Riqueza material, prosperidade.
- Bha Brilho, aura, luminosidade.
- Rgo Abrigo, proteção, Segurança.
- De Consciência, inteligência.
- Va Controle, repressão.
- Sya Fé, devoção, fidelidade, confiança.
- Dhi Capacidade, poder de retenção.
- Ma Prana, vida, vitalidade, espírito.
- Hi Disciplina, domínio sobre desejos.
- Dhi Penitência, austeridade, determinação.
- Yo Premonição, prudência, sagacidade.
- Yo Vigília, satsang
- Nah A criação, universo.
- Pra Simplicidade, sem malícia.
- Cho Coragem, ânimo.
- Da Humildade.
- Ya Juízo, razão, sabedoria.
- T Servir, compaixão.
O GAYATRI é o mais glorificado mantra dos Vedas. É direcionado ao Onipotente que propiciou a vida no universo e simbolizado por “SAVITRI” - O SOL, por isso também, é chamado de “SAVITRI MANTRA”.
Bhagavan Sri SATHYA SAI BABA nos ensina que o Gayatri foi feito para a Humanidade, sem nenhuma direção religiosa. Efetivamente, ele é SUPRA religioso.
Todas as traduções e interpretações que se incluem no conjunto das descrições do quadro supra, são totalmente válidas, inclusive à do Centro:
“Ó Gloriosa Luz que ilumina os três mundos (físico, astral e causal)
Que Teu Esplendor e Tua Graça iluminem nosso intelecto.
Nós Te rogamos!”
Uma tradução possível, mais literária, poderia ser:
Ó Poder Supremo (formado por Criação-Preservação-Transformação, ou seja, a Trindade), conecto-me através de meus corpos físico-astral-causa (a manifestação da Trindade Pessoal) e Te rogo para que, como o Sol irradia o Mundo, me irradie com triunfo, empenho, sustentação, bênção, união, amor universal, prosperidade, brilho, proteção, consciência inteligente, controle, fé, retenção, vitalidade, domínio sobre desejos, austeridade, sagacidade, vigília, criação, simplicidade, coragem, humildade e sabedoria, para Te servir com compaixão.
Agradecemos pela gentil autorização de MEETA RAVINDRA para permitir que o seu trabalho “O SEGREDO DOS MANTRAS – UMA CIÊNCIA DO SOM” servisse de alicerce para esta exposição, realizada com a única finalidade de divulgar um melhor conhecimento e aproveitamento do GAYATRI MANTRA.
OM SAI RAM
Centro Sathya Sai
São Paulo/SP – Brasil
Nov/1998
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